quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Senso crítico já!


Hoje, como resultado de uma apresentação na faculdade da disciplina Hermenêutica jurídica, pude participar de uma discussão no mínimo interessante a cerca de Teoria Crítica, o que redundou em constatações sobre a postura crítica que devemos adotar perante o curso [Direito].

Claro que vou aproveitar o espaço do blog pra estender um pouco mais a problemática com o intuito de abordar o senso crítico, a postura crítica perante tudo em nossa vida.

Entendam aí esse "nossa vida" como aspectos relevantes, em que deveríamos ser ativos, questionadores e participativos, como política e religião, e também aspectos subjetivos, como comportamento humano.

Engraçado que não poucas vezes ouvi que a história foi/é construída pelos homens. Claro que não concordo com a afirmativa, já que a mulher sempre desempenhou forçosamente um papel secundário, e não pôde, com o passar da história, exercer papéis mais importantes. Contudo, trazendo a discussão para os tempos atuais, percebo, e com muita tristeza, que as mulheres, de maneira geral, permanecem demasiadamente alheias á discussões de cunho social e político; Parecem não se interessar por assuntos que anteriormente eram tidos como de homens, mas que hoje deveriam está totalmente integrados ao cotidiano feminino.

Faço essa crítica por perceber, inclusive no meio acadêmico, como muitas vezes as mulheres se calam não manifestando opinião. Defendo piamente que a maioria delas tem sim o que dizer, porém, talvez ainda por falta de hábito, ou por medo de manifestarem-se e conseqüentemente se expor, preferem silenciar.

Se antes tínhamos que permanecer caladas por conta de uma sociedade machista que nos marginalizava, hoje, tristemente, muitas permanecem no silêncio por opção, já que a sociedade continua machista, porém impossível de ser comparada ao quadro que se apresentava décadas atrás.

Por quê somos pouco problematizadoras? Seria reflexo de anos de atraso e de repressão psicológica? Talvez... porém não é continuando mudas, e sem contribuir de alguma forma que esse quadro mudará, seja no saber jurídico, político ou em qualquer outra área de conhecimento.

Defendo que certas posturas devem ser mantidas, seja por um homem ou por uma mulher. Creio que encararmos "verdades" como passíveis de modificações é uma delas. Não estou falando de sermos volúveis a ponto de qualquer discurso ser capaz de mudar nossas crenças, já que isso seria, ao meu ver, fraqueza também de caráter. Estou defendendo aqui o conhecimento, acima de tudo. Se acreditamos em algo, devemos fortalecer essa crença buscando argumentos para continuarmos entendendo que aquilo é verdadeiro. Não pode ser simplesmente: "é assim e acabou" - mas sim uma opinião baseada e sustentada por algo concreto, e não em uma cegueira ideológica.

Porém, se mesmo com argumentos entendidos por você como plausíveis a sua idéia for superada por outra, ao menos você sustentou o quanto achou válido um raciocínio entendido até então como verdadeiro. O que não podemos jamais é nos deixar levar por discursos bonitos combinados com a nossa própria fragilidade argumentativa. E isto se aplica em qualquer campo.

Creio cegamente que devemos nos posicionar criticamente no intuito de não sermos enganados e/ou levados pela maré. A busca pelo conhecimento deve ser constante. Então, a dica que deixo é para que se questionem. Questionem o mundo! Não tenho dúvida que só ganhamos com isso.








“A verdadeira besta é a ignorância" - [valendo da própria legenda que encontrei para esta imagem].

domingo, 24 de agosto de 2008

final feliz...?!


O que fazer quando uma crise se instala em sua relação? O que fazer quando tudo que foi construído parece começar ruir? Bem... Não encontraremos essas respostas nas comédias românticas que eu gosto tanto, simplesmente porque elas acabam sempre no "felizes para sempre" - mas fica a pergunta: e depois da conquista o que acontece?
Creio que cada um já teve, em algum tempo, o seu "final feliz": finalmente ficou junto da pessoa amada. Mas e depois de alcançar o "objetivo"? Bem...Aí são outros quinhentos!

Naturalmente vamos relaxando...Mostrando quem somos, os pontos fortes, os fracos e fraquezas.
Claro que há um lado muito positivo nisso tudo: relaxamos a ponto de deixarmos de querer agradar a todo tempo e de sermos "simplesmente" nós mesmos. Em contra-partida parece que aquela pessoa atenciosa, leve e divertida vai desaparecendo, e surge a ciumenta, possessiva e muitas vezes descuidada, por parecer imaginar que "esse (a) é meu!”.

Somado a esses "pequenos" detalhes, SEMPRE - "tão certo quanto a morte” - aparece um gavião [termo usado também quando a "ave" é fêmea :P] rondando a área, parecendo sacar exatamente onde há um estremecimento e prontinho pra enfiar as garras justamente nesse lugar mais suscetível, fazendo e falando coisas que muitas vezes os atuais parceiros já deixaram de falar/fazer.

É fácil resistir a certas investidas quando não só o amor está em dia: quando a relação está gostosa, quando se sente prazer em estar junto..aliás, quando as pessoas estão DE FATO JUNTAS! Porque não se enganem...Amor é fundamental, mas não é o suficiente pra sustentar um relacionamento. É necessário haver mais alegrias do que tristezas, mais bons momentos do que ruins...É preciso namorar, namorar muito e se manter presente na vida do outro.

Acredito que deve ser um processo contínuo de soma e não de subtração: juntar a aqueles bons momentos do início outros tantos momentos conquistados no decorrer do tempo, pra que o relacionamento não sobreviva apenas de flashesback...é preciso que a história seja boa no presente e não somente no passado. É fazer perceber que amamos o outro, ao invés de apenas dizer isso.

Infelizmente muitas vezes deixamos correr frouxo demais, achando que é um processo "natural", e quando resolvemos tomar um pé na situação é tarde demais. Muitas coisas vão se acumulando pelo caminho... Mal entendidos, mágoas, coisas que não foram ditas, e conversas extremamente importantes que não aconteceram...E isso tudo, mais cedo ou mais tarde, aparece cobrando posicionamentos que você não teve no devido tempo, mas que acumuladas vão tornando a situação insustentável.

Geralmente essa sensação negativa de que há algo errado [e pode ter certeza: há algo errado se essa sensação bater!] acaba ajudando a afastar ainda mais quem já não estava tão próximo, a esfriar o que já não andava quente...E é aí que você finalmente percebe: "não somos mais tão do outro assim":(
Então, se chegar a esse ponto o jeito é conversar...mas conversar MESMO! Sem medo de dizer coisas de que não gostou; de trazer á tona coisas não superadas; de falar tudo o que está sentindo [positivo ou não]; esquecer a defensiva e se expor para tentar colocar o "trem" no trilho novamente.

E quer saber? Quer saber de verdade? A pessoa por quem você se apaixonou, mesmo com adversidades, ainda está aí! Olhe com cuidado que você a verá em pequenas coisas, sem necessidade de constantes provas de amor...Por que se aquela conversa funcionar [e conseqüentemente as coisas melhorarem a partir dela], é bem provável que sinta seu amor fortalecido e se perceba ainda mais apaixonada (o) que antes [como estou me sentindo agora :))]...E dessa vez pela pessoa real, e não pela projeção inicial que fez dela.

Seja fiel a você, ao que deseja. Seja fiel ao seu amor e lute por ele. Não podemos esquecer que a responsabilidade é nossa de que dê certo... E só nossa!! Eu sei..Assusta pensar assim, mas há o lado positivo: também reconforta ;)

terça-feira, 29 de julho de 2008

E começou a politicagem...


Depois que escrevi o título [sempre o faço antes de começar o texto], resolvi verificar o que significa "politicagem", afinal de contas não queremos falar uma coisa dizendo outra não é mesmo? de acordo com o dicionário Aurélio, Politicagem é a política mesquinha, estreita; o dicionário on-line que volta e meia consulto define como "S.f depreciativo politiquice; os maus políticos;"; Pois bem. Acertei na mosca!

Não pensem, meus caros, que fui sempre assim. Houve um tempo, não muito distante, em que eu acreditava na política; acreditava que uma política séria, feita por pessoas competentes e realmente engajadas pudesse existir; Acreditava que a solução para a maioria dos nossos problemas sociais estava em mãos salvadoras que certamente, mais cedo ou mais tarde, apareceriam, mas cansei de esperar esses bons políticos, cansei de esperar essas soluções que simplesmente não aparecem!
Há quatro anos, nas eleições municipais, eu tinha orgulho de carregar no peito uma certa estrela vermelha, que para mim significava o novo; a mudança. Na verdade, não era importante, naquele momento, analisar propostas, ou novos caminhos para o município. O importante para mim era romper com uma administração altamente corrupta, e que pouco fazia, levando em consideração a arrecadação da Prefeitura de Camaçari - um dos municípios mais ricos da Bahia.
Porém Quatro anos se passaram, e mesmo reconhecendo que houve melhorias, como a criação da "Cidade do Saber"- referência nacional em inclusão social - muito ainda precisava ser feito, e não foi.

Não me peçam para aplaudir essa "política de praça", porque em tempo algum farei isso. Tudo bem... precisamos de praças, de calçadas bem feitas, pavimentação [afinal do que é feita a beleza de uma cidade?] mas e onde fica a segurança? Camaçari [não é de hoje - é bem verdade] cresce de forma desordenada; o fluxo emigratório é grande, e muitas dessas pessoas ao chegarem não conseguem se estabelecer como gostariam - e aí faz aumentar as invasões, as periferias e as favelas. E pra essas pessoas? Quem olha? o que tem sido feito?

Não é novidade que os casos de roubo aumentam vertiginosamente. Hoje já ouvimos casos de assaltos em ônibus, pedintes nos sinais. Que morador de Camaçari poderia imaginar coisas assim há alguns anos atrás?

somos uma cidade de interior, ainda sem opções de lazer e cultura, com características NEGATIVAS de cidade grande! será que precisamos esperar nos tornamos uma Salvador, cheia de morros e exclusão, para começarmos a nos preocupar e assumirmos uma posição severa diante de quadros como esse?
Sou plenamente a favor do progresso - mas a pergunta que não sai da minha cabeça é: que preço precisamos pagar para isso?

Claro que quero ver a minha cidade grande mas não quero vê-la se tornar em cidades diferentes para o povo que vive aqui. Se será grande, que seja grande para todos.

Em plena campanha eleitoral, percebo que as eleições não passam de um engodo! um conchavo entre políticos, antes rivais, que hoje fazem acordos. E esse pra mim é o pior lado da política: Hoje rivais e trocando farpas, amanhã apertando as mãos;

Um bando de candidatos a vereador [só aqui em Camaçari são mais de 200!] para no fim ouvir propostas como a criação de um "putódromo" - acreditem: Uma vereadora daqui, inclusive novamente candidata, deu a "brilhante" idéia de criar um ponto único NO CENTRO DA CIDADE para todas as prostitutas da cidade.

Não vou falar o óbvio: "não acredito em políticos". Acho que posso ir um pouco mais além: não acredito no sistema Brasileiro. Na estrutura do nosso país. E tenho medo da ignorância generalizada de nossos políticos e principalmente da nossa população. Políticos despreparados e na maioria dos casos desviados do objetivo que deveria ser o primordial - o bem-estar coletivo - e popolução perdida, com razão, sem saber em quem confiar e votar.

O ratinho mais limpo do mundo!



Aproveitando o pretexto de ter Arthur [meu sobrinho] em casa, passei na locadora e peguei "ratatouille" para assistir :)
Bem...o que posso falar? primeiro: na primeira metade do filme entendi porque Arthur não queria pegar o dvd na locadora [ele tinha escolhido Tom & Jerry mas sabe cumé né? nada como o poder de persuasão :D]: o filme não me parece ter a capacidade de prender as crianças em frente a tela. Apesar de Remy ser um ratinho muito lindo, as situações engraçadas são escassas [e são cada vez mais raras com o passar do filme]. e oras...vamos concordar numa coisa: criança lá se importa com enredo/roteiro?

na verdade, me parece uma tendência nos filmes da Pixar..chamam mais a atenção dos adultos do que das crianças. Mas quer saber? o filme é bom e é uma delícia mergulhar no mundinho de Remy [achei muito engraçada a cena em que depois de ser solto, ele foge rindo - apesar de já ter feito um trato de parceria. Parece refletir a "personalidade" conhecida dos ratos] :))))



pra resumir, a nota: 8,0






[post com meeeeeses de atraso mas como já estava em rascunho quis deixar registrado]

terça-feira, 22 de abril de 2008

A desobediência Civil


"A desobediência civil" me chegou como uma indicação, e o engraçado é que a pessoa que indicou ainda não leu! [SURPRESA! :)] mas bem, de qualquer sorte, devo agardecer pela sensibilidade do meu "bem feitor" já que o livro é uma ótima pedida!

para contextualizar melhor o que pontuarei sobre o livro, vale dizer que ele nasceu como um manifesto, uma crítica do autor, Henry David Thoreau, aos desmandos do Estado, ao abuso dos impostos, e a excessiva obediência ás leis.

Claro que precisamos entender o cenário no qual o texto foi escrito: 1848; contrariedade ao sistema escravista e a defesa veemente da abolição e revolta pelo submissão à um Estado, governo que não entendia como legítimo.
considerando isto, o que impressiona é como um texto elaborado num contexto muito particular [há as diversas referências ao estado norte-americano de Massachusetts], em uma condição que em tese não existe mais [crítica ao sistema escravista], continua tão atual e pode influenciar até os dias de hoje.

Falando mais especificamente da referência que despertou a minha curiosidade pelo livro - o não pagamento de impostos e a consequente prisão de Thoreau - é incrível como ele narra a sua breve estadia atrás das grades. Na verdade, o que realmente é interessante como essa conseqüência é resultado de uma crença e principalmente da defesa dela.
Na opinião de Thoreau, "devemos ser primeiramente homens, e só posteriormente súditos. Cultivar o respeito às leis não é desejável no mesmo plano do respeito aos direitos. A única obrigação que tenho direito de assumir é fazer a qualquer momento aquilo que julgo certo".

Vale esclarecer que quando fala em desobedecer ele está apenas defendendo a idéia de que não precisamos, mais ainda, NÃO DEVEMOS nos curvar à um governo em que não acreditamos, do qual não compartilhamos idéias e muito menos ações; não devemos alimentar um Estado que usa o nosso dinheiro para sustentar e cometer injustiças:


"O direito á revolução é reconhecido por todos, isto é, o direito de negar lealdade e de oferecer resistência ao governo sempre que se tornem grandes e insuportáveis sua tirania e ineficiência".

"A autoridade do governo ainda é impura. Para se tornar totalmente justa, ela precisa contar com a sanção e com o consentimento dos governados".


Creio que mais do que fazer uma crítica, Thoreau devia ter a intenção de mobilizar; a intenção de que seu discurso fosse de fato ouvido, que tivesse o poder de causar uma revolução:

"Se mil homens não pagassem seus impostos no ano corrente, isso não seria iniciativa tão violenta e sanquinária quanto o próprio pagamento, já que neste caso o Estado fica capacitado para cometer violências e para derramar o sangue dos inocentes. em verdade,´esta é a definição de uma revolução pacífica, caso isso se possa conceber."

"É costume afirmar que os homens em geral são despreparados. se as melhorias são lentas, é porque a minoria não é substancialmente mais sábia ou melhor do que a maioria. que muitos sejam tão bns quanto você não é tão importante, mas sim que haja em algum lugar alguma porção absoluta de virtude. em verdade, isso bastará para fermentar toda a massa."

Na verdade, pelas palavras do próprio Thoreau, não basta achar algo errado; é importante fazer algo de efetivo para que esse algo termine. então, trazendo para nossa realidade, precisamos sim de homens virtuosos, mas principalmente precisamos de mais ação, ao invés de apenas discursos e omissões...e tenho pra mim que de certa forma ele alcançou o que gostaria com o seu discurso. Exemplo disso é que Gandhi usou-o como inspiração para a sua concepção de resistência passiva.

o livro é pequeno e excelente. leitura recomendadíssima!! [aliás, espero que o "indicador" ache o mesmo ;)].



Adendo: A edição da Martin claret [imagem acima] traz "outros escritos"; mais 4 textos igualmente curtos, e estes comentarei em outras oportunidades :)

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Esse post tá prometido há muuuito tempo. na verdade, este é o primeiro de uma série de posts falando sobre música, e mais especificamente sobre álbuns que pararam em minhas mãos.
No de hoje falarei apenas sobre um deles. A idéia inicial era postar dois álbuns de Pearl Jam, o "Ten" e o "Vs", porém achei melhor falar deles separadamente.

então pra começar: "Ten"



1.Once
2.Even Flow
3.Alive
4.Why Go
5.Black
6.Jeremy
7.Oceans
8.Porch
9.Garden
10.Deep
11.Release


Lançado em 1991, foi o primeiro do Pearl Jam, e desculpa aos olhos mais puritanos mas QUE CD BOM DO CARALHO!! e caraca...foi só o de estréia! :O
Ele é frenético, acelerado e explora muito bem a guitarra [aliás, Guitarra é O instrumento desse disco - principalmente nas primeiras 6 faixas] com solos irretocáveis e som afiado!!

Na verdade, considero o "ten" uma verdadeira apresentação. Ele passeia pelo bom Rock com som limpo, casado com músicas mais lentas e bastante trabalhadas, como se fosse realmente para mostrar todo o potencial da banda.

A primeira música, Once,já tem uma introdução poderosa, como se fosse pra mostrar o que nos espera!!
destaques para "Alive" [faixa com som bem comercial e show da guitarra e da bateria nos minutos finais - aliás, me parece a música mais comercial do disco, juntamente com "Black"], "Why go", "Black" [que tem um sentido muito especial pra mim - parece uma baladinha mas cresce progressiva e lentamente, com som cada vez mais forte, meio desesperado], "Jeremy", "oceans", "Garden" [outra que usa do artifício de acelerar próximo do fim] "Deep" e "Release" [desculpa galera...foi quase todas as faixas :p].

engraçado que este foi um dos poucos discos que preferi ouvir sem fone, porque de fato precisa ser escutado em altíssimo volume!! dá um negócio dentro da gente... um energia maravilhosa! é difícil explicar [:(], mas uma palavra pra tentar defini-lo é: AGRESSIVO!!

muito boa pedida!!





nota: 8,5

domingo, 6 de janeiro de 2008

deixar para depois...

Assisti ontem o filme “P.S. Eu Te Amo”. Na verdade não posso dizer que é um grande filme, mas me fez pensar sobre o tempo, e é sobre ele que falarei a seguir.

È interessante como costumamos viver nossa vida deixando muitas coisas para depois. Planos são feitos, e também abandonados pelo caminho. Muitos “eu te amo” são silenciados, apesar de ter a certeza de como algumas pessoas são importantes para nós.
Certamente não sou a pessoa mais apropriada para falar sobre deixar para depois. Não lembro quando disse que amava os meus pais [se é que já disse]; perdi a conta das vezes em que pensei “depois eu faço”, “depois eu vejo” ou até mesmo “depois escrevo” [vide a data do último post]. Mas isso não é algo só meu. As vidas são cheias de depois: uma ligação, uma conversa importante, aquela saída com amigos que há tempos você não ver...encontros adiados com um “depois a gente marca”.

Por falar em depois, parece que ainda estou esperando para começar a viver. Apesar de fazer coisas que eu adoro, tem sido doloroso pensar nas que eu não faço [e não por falta de vontade, mas sim por ser impedida]. E não. Não tenho uma vida ruim. Tenho bons amigos, uma família que aprendi a amar apesar de tudo, e o grande amor da minha vida ao meu lado; Não tenho grandes problemas com grana, e estudo o que gosto e onde eu quero, mas sabe quando você precisa de algo mais? E esse “algo mais” pra mim é mais LIBERDADE.

Quando falo em ser livre não estou pensando em fazer tudo que quero. Quero poder fazer mais escolhas e decidir os melhores caminhos PRA MIM. Sei que deverei satisfações para alguém em todas as fases da minha vida, mas quero poder ir e vir sem estar tão presa e escrava de horários; Quero poder um dia me enfiar num carro e meter o pé na estrada; quero ver a maior quantidade possível de entardeceres; quero à noite, numa praia, ver o céu entupido de estrelas....quero muitas coisas e ao mesmo tempo quero pouco. Quero ser eu [pelo menos por boa parte do tempo] e não apenas o que esperam de mim.

Ás vezes o que consola e me dá esperança é saber que em alguns anos poderei dizer finalmente que sou dona da minha vida. Penso nas coisas que farei e que acredito serem possíveis brevemente, mas... e se não for? Não tenho a vida nas minhas mãos. Quanto tempo ainda preciso esperar e desperdiçar?
A verdade é que tenho muito medo. Medo de lá na frente ver que deixei muita coisa pra trás; muitas coisas por fazer. Medo de perceber que passei boa parte da minha vida esperando...e sim.Tenho muita sede de vida. Mas não basta; O que quero é poder sacia-la!

Seria triste ver que não passei de um projeto e “sonhos” não realizados. Triste ver que fiquei apenas na teoria [por que essa intensidade, se não colocada em prática, de muito pouco vale].
Por enquanto vou continuar esperando, mas como uma pessoa muito especial me disse, não importa se você tem 100...36 ou 20 anos: TEMPO PERDIDO NÃO É RECUPERADO. Mas sei que se não recuperamos, ao menos temos a chance, todos os dias, de aproveitar ao máximo o tempo que nos resta.

Então, se eu pudesse dá um conselho seria: Seja gentil e generoso com as pessoas; procure dizer mais sim do que não; escute de verdade e não apenas empreste seus ouvidos; aproveite as boas companhias e cada momento que elas te proporcionam; dê valor ao que você tem AGORA, e não apenas depois que perder; seja positivo e não pense que “não há nada tão ruim que não possa piorar”, porque sem dúvida é melhor acreditar que “não há mal que sempre dure” [;)] e finalmente o mais importante...

Tente não reproduzir o pior depois: “depois eu vivo”.



Um ótimo ano para todos nós.

sábado, 3 de novembro de 2007

Intolerância

O que faz as pessoas se acharem donas da verdade? até onde vale o que aprendemos com os nossos pais? a verdade é que se formos analisar bem, nosso pais, por instinto, nos ensinam a ser medrosos - a não encarar a vida de frente pelos os próprios medos deles; Nos ensinam que o que é bom pra vivermos "bem" é estudar, se formar, ter uma profissão - e ganhar dinheiro com ela, casar quem sabe e "constituir família". Quem conhece algum pai que aconselha o seu filho a se apaixonar? mas a se apaixonar perdidamente mesmo? a viver um amor tão forte que consiga tirar seu fôlego e te mudar de rumo? Ninguém conhece... e sabe por quê? por que o que os pais querem para os seus filhoes é a "felicidade" de uma vida segura... tranqüila... e previsível!

Porém há os "rebelados", pessoas que entendem que isso não basta pra todo mundo. Há aqueles que precisam de amor, de romance e aventura pra viver - e tudo mais não importa; Há aqueles que não querem aceitar os medos que lhes são impostos , porque simplesmente entende que NÃO EXISTE UMA FÓRMULA PRA SER FELIZ!
Há sempre o que é certo ou errado a se fazer e consequentemente o julgamento das condutas. Por quê tenho que viver de acordo com o que acham ser melhor? por que não posso ter o direito de arriscar e tentar encontrar o que é melhor PRA MIM?

talvez eu tenha comentido muitos erros, mas quando pela primeira vez sinto que estou acertando, por me permitir viver o que meu coração manda, é justamente agora que tenho todo mundo dizendo que estou errada.
viver requer coragem... coragem de fazer escolhas [e assumi-las], de saber lá no fundo o que é melhor pra você; coragem de "pagar pra ver"; de mesmo sem garantias, apostar que as coisas podem dar certo porque sabemos que se trairmos nós mesmos nada resta.

Me falam sobre um mundo de "Faz de conta", de "walt Disney"... e dizem que é nesse mundo que eu vivo; me falam para eu pôr os pés no chão; "que negociozinho de amor o quê?", mas penso o que é pior: acreditar demais ou não acreditar em nada?
Não quero encarar as coisas de forma tão fria. Não quero ser reflexo das decepções de outras pessoas, e se possível for, quero andar nas nuvens mesmo! e se é pra escolher, escolho a imprevisibilidade, a incerteza do amanhã!
Porra!! será que é pedir demais deixar eu viver a MINHA VIDA?!

de fato não tem sido dias fáceis e me sinto fraca... é difícil brigar quando só você acha possível. Quando as outras pessoas dizem "mas é assim que acontece"; Quando pessoas que você ama te dizem: "preocupada com você? eu quero mais é que você se fôda, porque o que começa errado acaba errado" :( e por tudo isso eu desabafo.. desabafo pra falar que não sei de nada, não tenho certeza de nada, mas não entendo por que tanto empenho em tirar a "ilusão" de que é possível de mim... Será que os sonhos alheios incomodam tanto assim? não sei... mas estou lutando agora pra não ser vencida. Não me deixar amargurar, por quê não posso e não quero pagar um preço tão alto por me apaixonar.

Quero um dia olhar pra trás e ver os meus próprios caminhos e não as escolhas dos outros. Talvez agora não dê certo, talvez esteja mesmo errada e as coisas não são bem como penso, mas ainda assim não quero permitir que roubem a minha fé. só acreditando eu posso viver. Só faz sentido pra mim se for assim.



OBS: Gleidson, obrigada pela pronta defesa ontem.. você além de ser um amigo incrível, é também um morador do meu mundinho ;)

domingo, 30 de setembro de 2007

"Tropa de Elite" e cinema brasileiro no Oscar.

Acabei entrando na onda pirata, rendendo-me a maior das propagandas, o boca-a-boca, e assisti "Tropa de Elite", o filme brasileiro mais comentado dos últimos anos, antes mesmo de ser lançado.
Não sou nenhuma especialista ou crítica em cinema, e não tenho nenhuma pretensão de ser, portanto só posso avaliar o filme de acordo com as minhas impressões, sem analisar nenhum aspecto técnico... portanto vamos lá!

Pra início de conversa, ouvi comentários maravilhosos sobre esse filme, mas será que eu fui a única que não achou tudo isso? é inegável que "Tropa de Elite" é um bom filme de ação... e só! Apesar de trazer no seu enredo uma crítica severa ao funcionamento da corporação da polícia militar, em especial do Estado do Rio de Janeiro, faz também uma apologia, um endeusamento do B.O.P.E ["Faca na caveira e nada na carteira"], como se este último fosse o baluarte da honestidade e de oportunidade para que o tráfico de drogas seja suprimido.
A sensação que tive é que o filme foi feito por algum manda- chuva do B.O.P.E, porque mais do que falar sobre a realidade nos morros, o filme se prende demasiadamente em exaltar o funcionamento e eficiência do Batalhão de Operações Policiais Especiais.

Uma temática que me pareceu bastante interessante foi a participação direta e/ou indireta da classe média no processo do tráfico. Muitos acreditam que não é nada demais acender um "simples" baseado... mas é importante pensar por qual caminho ele teve que passar para chegar até as mãos dessas pessoas. O que pra uns é apenas um baseado, é também um alimento para o tráfico e para a violência [ vale a pena ressaltar que não é apenas isso; a sistemática do crime organizado é muito mais complexa].

em síntese, se você quer ver crítica social e um filme de ação que não fica nada a dever aos hollywoodianos, é uma boa pedida [apesar de ter achado-o excessivamente longo... 1:30h de fita funcionaria ainda melhor].

.................................................................................................

Já que falei em "Tropa de Elite" e em Hollywood, nada mais justo do que falar do nosso indicado ao Oscar, que venceu inclusive o filme supracitado na corrida pela indicação. "Tropa de Elite" foi "lançado" para concorrer a vaga, e há quem diga que as cópias que misteriosamente surgiram no mercado, e com tamanha qualidade, foi nada mais que uma jogada de marketing dos próprios produtores para criar um maior alvoroço, de olho no Oscar 2008 [versão essa que eu piamente acredito]. Apesar de tamanha divulgação, a vaga ficou com o filme " O ano que meus pais saíram de férias", que tem como pano de fundo a ditadura militar.

Ainda não vi o filme, porém posso dizer com convicção que ele não ganhará o "douradinho", apesar de achá-lo o melhor brasileiro para disputa - mesmo lendo apenas a sinopse- e vou dizer por quê!
Enquanto não produzirmos um filme que trate de coisas mundialmente entendidas, como sentimentos e natureza humana, não levaremos a tão cobiçada premiação; Enquanto retratarmos apenas a nossa dura realidade, muitas vezes incompreendidas até por nós mesmos, e enquanto não fizermos aqueles "filmes-acuçar", podem esquecer que o Oscar não vai parar numa estante brasileira.
Posso usar como exemplo "Central do Brasil" x "A vida é bela"! é disto que estou falando: enquanto o primeiro falava da realidade do interior de um país "em desenvolvimento", com analfabetos, o outro falava da magia e da realidade forjada de pai para um filho, apesar de está em meio a segunda guerra mundial. Será que precisamos mesmo assistir ambos os filmes pra definir qual venceria? acredito de verdade que não.
mas nem tudo são espinhos... pelo menos pra mim, e acho que pra muita gente também, o Oscar não é a premiação máxima que um filme pode receber ;)

sábado, 25 de agosto de 2007

Depois da tempestade... MÚSICA!!

Compensando o desaparecimento por tanto dias [mais de um mês é uma vergonha!], e aproveitando a paz que passou a reinar após o fim das atividades do terceiro semestre, deixa eu deixar registrada algumas impressões:

Agora que fui iniciada na "arte" de ouvir cd's completos [geralmente me contentava com os carros-chefes do álbum], vou tentar escrever minha opinião sempre que algo novo cair em minhas mãos, até porque sei que isto pode servir para refrescar, lá na frente, minha memória tão deficiente.

Dando início a essa empreitada, tenho aqui comigo o cd "Throwing Copper", lançado em abril de 1994, do Live:



01. Dam at Otter Creek
02. Selling the Drama
03. I Alone
04. Iris
05. Lightning Crashes
06. Top
07. All Over You
08. Shit Towne
09. TBD
10. Stage
11. Waitress
12. Pillar of Davidson
13. White, Discussion
14. Untitled -não creditada


Esta foi a minha primeira oportunidade de conhecer a banda, e sem dúvida, não pararei por aqui! tive uma ótima impressão, pois o que vejo no "Throwing Copper" é um trabalho muito bem feito, bastante regular, e com excelentes arranjos! [e tenho prezado bastante por esse elemento ultimamente]. Percebe-se o cuidado na elaboração do disco, que têm uma melodia bastante marcante, e um incrível apelo pop! [Fora o vocal espetacular de Ed Kowalczik, que tem uma voz "simplesmente" perfeita].

O álbum é muuuuuito bom, e apesar de ter as faixas que se destacam aos meus ouvidos, jamais poderia dizer que as outras são ruins. Devida atenção para as músicas: "Selling the drama", "I Alone", "Lightning Crashes" - "Top" - All Over you" - "Shit towne" [essas últimas quatro em sequência - talvez a maior seqüência que tive oportunidade de ouvir até hoje], "Stage" [a mais rápida do álbum] "waitress" e finalmente "Pillar of Davidson".

nota: 9,0